sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A introdução da ideias liberais


Você deve ter visto em filmes ou até mesmo em desenhos animados que durante a Antigüidade e a Idade Média a maioria das pessoas vivia no campo. Mas nem sempre fica claro que essa vida campesina sustentava as sociedades da Europa ocidental nos períodos acima. Por exemplo, ainda que Roma tenha se tornado uma grande cidade vimos que sua força militar estava no camponês que, em tempos de guerra, tinha que deixar o campo para engrossar as fileiras do exército.
Camponês medieval
Por sua vez, durante a Idade Média a principal força de trabalho era o camponês, chamado nessa época de servo. Poderíamos dizer que essas foram sociedades agrárias. Geralmente as sociedades agrárias não são muito populosas e as pessoas produzem grande parte do que consomem. E esta foi uma importante característica da Europa ocidental até a Idade Média.
O trabalho no campo era o que sustentava a sociedade medieval.
No entanto, a migração do camponês para as cidades enfraqueceu estas sociedades agrárias e deu início ao processo de desenvolvimento do comércio. Sem terras esses imigrantes passaram a ter que comprar os materiais necessários à sua sobrevivência. Essas coisas eram produzidas nas vilas por artesãos, trabalhadores manuais, ou nas fazendas, pelos camponeses que conseguiram ficar no campo.
Esse processo de migração não parou de ocorrer e as cidades foram crescendo cada vez mais, aumentando, com isso, o comércio entre as pessoas. Esse processo ajudou no desenvolvimento da técnica e da produção de navios mais seguros. Isto, por sua vez, fez com que o mercado consumidor dos produtos europeus crescesse no mundo inteiro, pois a expansão para outras partes, tanto da Europa quanto de outros continentes, levava os produtos europeus para esses lugares e trazia destes lugares produtos para a Europa. Foi a união entre esses fatores que tornou possível a Revolução Industrial. Vamos conhecê-los um pouco melhor?


A Inglaterra e o crescimento do comércio



Uma das conseqüências da expansão comercial do século XVII e XVIII foi o desenvolvimento de vários setores de produção e consumo ao mesmo tempo. No início da revolução industrial, o produto mais vendido pelos ingleses para outras regiões e, portanto, o produto mais lucrativo era o tecido de lã (foi para criar carneiros e produzir lã que os fazendeiros cercaram os antigos mansos comunais). Com os cercamentos, os camponeses foram expulsos de suas terras. Isto os levou a migrarem para as cidades, onde passaram a trabalhar como assalariados.
  O tecelão
Van Gogh 1884
Ao mesmo tempo em que produziam para o comércio, os trabalhadores assalariados e os moradores das cidades tinham necessidade de consumir vários produtos para sobreviver. Este fator, aliado à conquista de outros mercados, como o português e o espanhol, fez o mercado consumidor dos produtos ingleses crescer muito. Para atender a este mercado consumidor foi necessário investir em outros setores além da produção de lã, como, por exemplo, o setor agrícola.

 Arado de ferro
As pessoas que viviam nas cidades não produziam seus próprios alimentos, esse fato incentivou os produtores rurais a  olharem para as cidades como um bom mercado para seus produtos. Para aumentar a produtividade e conseguir abastecer o mercado urbano, a produção no campo passou por uma série de inovações, como a utilização do arado de ferro. Estes fatores nos mostram que a produção do campo estava ligada ao mercado das cidades e aos mercados exteriores.
  Fundição de ferro
Obra de John F. Weir, 1866
Desta forma, todos os setores da sociedade tiveram que se adaptar ao comércio crescente. A construção naval, que passou a empregar muitos trabalhadores, também cresceu bastante, pois as mercadorias tinham que ser transportadas em navios para os outros países. A conseqüência desse processo foi o aquecimento de todos os setores da economia inglesa e um grande enriquecimento deste país.
A estrutura artesanal de produção não conseguia mais produzir o suficiente para atender às exigências de todos os mercados conquistados pela Inglaterra. Transformações no artesanato eram necessárias. 

O artesanato

Até agora nos remetemos várias vezes à palavra artesanato. Você já tinha ouvido falar nisso? Se sim, você saberia explicar o que é? Vamos falar um pouco sobre ele.
 Feira urbana de artesanato de Embu – SP
Atualmente, quando ouvimos falar em artesanato é comum associarmos a palavra a algumas feiras onde as pessoas vão comprar objetos decorativos trabalhados à mãobolsas de crochêroupasacessórios, e outros produtos também feitos à mão que muitos chamam de alternativos (pois não são produzidos em larga escala como os industrializadas). 
Charge: Hippies
Muitas vezes, ainda, associamos a palavra artesanato aos produtos feitos nas ruas por pessoas que, além de tocarem seu violão, fazem manualmente pulseirasbrincosanéis,correntesdecoram isqueiros e canetas, entre outros produtos, para vender e sobreviver em suas andanças pelo mundo. Essas pessoas são os chamados hippies ou andarilhos. Os produtos citados acima são exemplos de artesanato. E aqueles que os fazem são os artesãos.
 Uma artesã e alguns objetos artesanais
A partir dos exemplos acima, você saberia dizer, agora, o que é o artesanato? O que você pensaria se disséssemos que o artesanato é uma forma livre e independente de produção onde o produtor é quem faz, do início ao fim, todo o serviço? Os exemplos acima confirmariam isto?
Atualmente, apesar do artesanato ser uma atividade restrita a poucas pessoas e, muitas vezes, ser desvalorizado por nossa sociedade, houve um tempo em que tudo o que usávamos era produzido por artesãos, verdadeiros mestres em seus ofícios. Sapatos, sandálias, casacos, mesas, cadeiras, espadas, facas, e uma série de outros materiais eram produzidos por artesãos.
Durante a maioria do tempo de existência do homem essa foi sua principal forma de produção. Faz pouco mais de duzentos anos que começamos a produzir de outra forma.
Vamos entender como se deu o princípio dessa mudança?

Do artesanato à Manufatura

A mudança em nossa forma de produção se deu primeiramente com a transformação do artesanato em manufatura. Parece estranho dizer que existe diferença entre o artesanato e a manufatura (trabalho feito à mão), mas há. Vamos ver: tanto numa maneira de produzir quanto noutra o trabalho é feito à mão, no entanto a estrutura produtiva se modifica. A principal mudança está na posse do produto e nas relações de trabalho.
Charge: Artesão
Se no artesanato o produto final era de propriedade do artesão, na manufatura não é mais. Isto ocorreu porque a procura por produtos aumentou muito e, com isso, a produção teve que aumentar. No entanto, os artesãos não tinham como financiar sozinhos o aumento da produção. Desta forma, muitos comerciantes, que antes se dedicavam apenas ao comércio dos produtos comprados dos artesãos, passaram a investir também na produção.
Para isso compravam a matéria prima e contratavam artesãos para trabalharem para eles. Estes artesãos passaram a receber uma quantia em dinheiro pelo serviço, que ainda era feito em casa. Ou seja, quem contratava o artesão não pagava pelo produto gerado e sim pelo trabalho realizado. Em outras palavras, o artesão passou a vender o seu trabalho. Outra característica da manufatura é a seguinte: se antes um artesão fazia o produto do início ao fim, nesta nova fase, meados do século XVI, cada artesão efetivava só uma parte do serviço. Esta divisão de tarefas aumentava bastante a produtividade, pois no final era só montar as partes que cada um tinha feito.
Estas transformações não foram efetivadas todas de uma só vez e foram elas que criaram as bases para o desenvolvimento industrial.

Da Manufatura à Indústria: a perda do controle da produção

O que você acha que acontecia com um artesão se ele perdesse os materiais básicos para trabalhar? É bem provável que ele ficasse numa situação difícil, não é? E foi justamente isso que aconteceu.
Charge: mudanças nas relações de trabalho
O surgimento do sistema de manufaturas arruinou quase todos os artesãos que ainda trabalhavam de forma independente. Perderam suas oficinas, instrumentos de trabalho e o controle sobre o ritmo do seu trabalho e da produção. Não tendo mais como trabalhar de forma independente, o que você acha que aconteceu com o artesão? Acabou se tornando um trabalhador assalariado.
Com isso, a Inglaterra estava a um passo do sistema industrial. No entanto, a passagem do sistema de manufaturas ao sistema industrial não foi simples. A transformação não estava ligada apenas à tomada do controle da produção por parte dos burgueses. Eram necessárias modificações técnicas. Vamos saber como elas aconteceram

Da Manufatura à Indústria: a técnica a serviço da indústria

Até o século XVIII, as formas mais comuns de energia usadas pelos homens eram a força do próprio homem, a energia animal, e a energia fornecida pelo vento e pela água.
Spinning Jenny
Mesmo antes da revolução industrial, já existiam máquinasmanuais de fiar e tecer. Elas eram usadas pelos artesãos. No entanto, com a pesquisa científica e tecnológica surgiram novasmáquinas..
Esquema da máquina a vapor aperfeiçoada por James Watt
A grande novidade foi a utilização de uma nova fonte de energia, o vapor, aquecido pelo carvão, o que possibilitou o surgimento da máquina movida a vapor. Com o surgimento dessa máquina, o local de trabalho deixou de ser o lar do trabalhador para ser uma empresa existente num local específico com regras e horário determinados pelo seu proprietário.
No início as novas máquinas apenas reproduziam os gestos dos trabalhadores, mas com o tempo foram se aprimorando e se tornando mais complexas. Estas máquinas passaram a substituir os trabalhadores e a efetivar os seus trabalhos. Desta forma, até o conhecimento sobre as tarefas foi retirado dos operários e apropriado pelo proprietário dos meios de produção.
Relógio gótico provavelmente do século XVIII
Assim, o conhecimento sobre um ofício, como ocorria no sistema artesanal, passou a ser cada vez mais desnecessário. Se antes demorava-se anos aprendendo um ofício agora bastavam algumas horas de prática para saber como operar uma máquina. Este foi o início da Revolução Industrial. Ela é um processo que até hoje está ocorrendo. E deve continuar ainda por muito tempo.
Uma de suas conseqüências foi a sujeição do trabalhador. A perda do conhecimento de seu ofício o tornou cada vez mais refém de seu patrão e de seu salário. Outra conseqüência foi o surgimento de classes sociais, entre elas o proletariado. Vamos compreender melhor como a sociedade se reestruturou socialmente a partir deste período.

A burguesia industrial e o proletariado

A Revolução Industrial criou as condições para o surgimento de duas novas classes sociais. Os proprietários das matérias primas, do local de trabalho, dos instrumentos e do produto do trabalho passaram a ser chamados de burguesia industrial, ou simplesmente capitalistas.
Um industrial e um operário
Os trabalhadores, que perderam os instrumentos de produção, já não tinham condições de adquirir matéria prima para trabalhar, e passaram a possuir apenas a sua força para vender em troca de um salário. Esses trabalhadores foram então trabalhar nas indústrias e a partir de então passaram a ser chamados deproletários, ou simplesmente operários.

A situação dos trabalhadores passou a ser muito precária. Reféns da burguesia industrial e sem nenhum direito trabalhista no início da revolução industrial, ficavam submetidos a condições muito precárias e abusivas de trabalho.
Trabalho infantil e feminino.
Ilustração do século XIX
Os documentos históricos apontam que as jornadas de trabalho eram muitas vezes de 16 horas de trabalho diário (hoje, no Brasil, é de 8 horas). As mulheres e crianças eram submetidas às mesmas condições de trabalho dos homens e recebiam bem menos. O trabalho infantil era muito empregado nas indústrias (não era raro ver uma criança de seis anos trabalhando no interior das fábricas).

Esta situação gerou muita insatisfação, e os operários passaram a se organizar para reivindicar direitos trabalhistas e melhores condições trabalho, entre outras coisas. Sua organização se deu de várias formas, mas a mais comum foi a organização sindical.
Charge: Movimento operário
Organizados, os operários passaram a conquistar direitos trabalhistas. As horas trabalhadas diminuíram, as condições de trabalho foram, aos poucos, melhorando, o trabalho infantil foi proibido e o feminino regulamentado. No entanto, a luta entre patrões e empregados continua até hoje.

Durante a revolução industrial e com as novas modificações efetivadas na sociedade, um novo pensamento começou a surgir: o pensamento iluminista.

O Iluminismo

Com o desenvolvimento das cidades, a expansão marítima e a revolução industrial, a burguesia consolidou sua importância na sociedade européia. No entanto, no século XVIII, apesar de já ser bem numerosa e se destacar como detentora do poder econômico, seu modo de vida e visão de mundo ainda era marginalizado.
   Descartes
Neste século se iniciou, portanto, um movimento de contestação ao Antigo Regime e de valorização dos ideais burgueses. Esse movimento passou a atacar o absolutismo, a intolerância religiosa, a injustiça e, principalmente, os privilégios da nobreza e do clero. Defensores da razão, os iluministas passaram a propor novas formas de organizar a sociedade européia, propondo alterações na estrutura de poder e na forma de elaboração e execução das leis.

Queriam tornar a sociedade mais igualitária, na qual todos teriam os mesmos direitos e deveres. 
Desta forma não haveria mais privilégios de nascimento, e burgueses e nobres seriam iguais perante a lei. Teriam, assim, as mesmas oportunidades de ascensão política, dependendo apenas do desempenho de cada indivíduo.
  Isaac Newton (1642-1727)
Também estavam preocupados em explicar, racionalmente, os problemas vividos pela sociedade para, a partir disso, apontar soluções. Acreditavam estar lutando para acabar com a ignorância e o misticismo na Europa através das luzes da razão e da ciência para, com isso, tirá-la das trevas. Por isso esse movimento ficou conhecido como Iluminismo.

São vários os pensadores iluministas desta época

Os pensadores do Iluminismo

O pensamento iluminista possui duas vertentes: uma filosófica, que se preocupava com os problemas políticos, e uma econômica, que se preocupava com o desenvolvimento econômico das nações.

Entre os filósofos mais importantes podemos citar o inglês John Locke (1632-1704), os franceses Montesquieu (1689-1755),Voltaire (1694-1778) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), este último nascido em Genebra.

Entre os economistas mais importantes podemos citar osfisiocratas Quesnay (1694-1774), Turgot (1727-1781) eGournay (1712-1759). Além da fisiocracia, havia uma outra corrente econômica, o liberalismo econômico cujo principal representante foi Adam Smith (1723-1790). 

John Locke (1632-1704)

Locke foi um dos primeiros pensadores que poderíamos chamar de iluminista. Inglês, viveu durante a Revolução Gloriosa e assistiu às transformações inglesas daquele período. Sua principal obra foi oSegundo tratado sobre o governo civil
   John Locke
Defendia que o homem nasce livre e possui alguns direitos naturais que são inalienáveis: a propriedade de sua própria vida, a liberdade e o direito a outras propriedades materiais que ele conseguir adquirir através de seu próprio esforço e do exercício de sua liberdade. No entanto, apesar de serem naturalmente livres, não é possível garantir que suas propriedades e seus direitos sejam respeitados sem nenhuma força exterior a ele próprio.

Foi para assegurar a propriedade e a liberdade de cada indivíduo que os homens organizaram o Estado. O Estado teria, portanto, o objetivo de dar segurança e proteção aos indivíduos. 
Esse Estado deveria obedecer algumas regras e não poderia se tornar tirânico (como o estado absolutista). Se se tornasse tirânico caberia aos homens (sociedade civil) o direito de rebelar-se contra o próprio Estado.

Montesquieu (1689-1755)

Montesquieu aprofundou o estudo sobre a divisão dos poderes no interior do Estado. Em O Espírito das Leis, defendeu a independência entre os poderes legislativo (que elabora e aprova as leis), judiciário(que fiscaliza e julga a aplicação das leis) e executivo (que tem o poder de dirigir o país sustentado pelas leis aprovados pelo poder legislativo). Para que as liberdades individuais fossem garantidas, estes poderes deveriam ser exercidos por pessoas e câmaras distintas.
  Montesquieu
A unificação destes poderes em uma única pessoa (como era noabsolutismo) ou câmara poderia ser perniciosa e favorecer a tirania. Isso significa que nenhum dos três poderes deveria se intrometer na área de atuação do outro, apesar de serem interligados e interdependentes.
Também foi um severo crítico das tradições européias. Atacou-as profundamente em sua obra Cartas Persas. Nela ridicularizava os costumes e as instituições do Antigo Regime.

Voltaire (1694-1778)

Voltaire foi um feroz crítico da Igreja e dos privilégios da nobreza. Defendia uma monarquia esclarecida. Ou seja, que governasse de acordo com os princípios das luzes.
   Voltaire Por Quentin de La Tour, 1735.
Considerava o parlamentarismo inglês um bom exemplo de regime político a ser seguido pelos outros países europeus. Em sua obra, Cartas Inglesas, fazia elogios ao regime britânico, que se baseava na liberdade dos indivíduos, e criticava o absolutismo francês, cerceador das liberdades individuais. Por suas críticas ao clero e ao absolutismo foi perseguido, exilado e preso várias vezes. Foi um dos pensadores iluministas mais influentes da época.  


Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)

Entre os iluministas, Rousseau pode ser considerado uma exceção. De origem pobre, defendia um vida simples. Criticava a burguesia e a propriedade privada.
   Rousseau Por Quentin de La Tour, 1735.
Segundo o que defendia, a raiz da infelicidade humana está na propriedade privada. Sua obra mais importante é Do Contrato Social, publicada em 1762. Nela defende que o Estado seria o resultado de um contrato estabelecido entre os homens. Este contrato tinha por objetivo o estabelecimento de leis que assegurassem a liberdade, a justiça e a igualdade entre os homens.

Defendia que o governo deveria ser exercido de acordo com a vontade geral do povo, identificada através da vontade da maioria, expressa no voto. Foi um dos pensadores iluministas mais importantes durante a Revolução Francesa. Sua idéia de soberania popular através da vontade geral influenciou profundamente Robespierre, um dos líderes desta Revolução. 
Em seu Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, Rousseau defendia que o homem nasce bom e que foi a sociedade que o corrompeu.

Os fisiocratas

O pensamento iluminista também teve reflexos na economia, principalmente o ideal de liberdade. Para os fisiocratas, os produtos naturais, advindos da terra, eram a fonte de riqueza de uma nação. À indústria cabia apenas o papel de transformá-los e ao comércio de fazê-los circular.
Charge: Produtos agrícolas - fonte de riqueza
Defendiam, portanto, que o enriquecimento de um país estava no desenvolvimento de sua agricultura. Os principais fisiocratas foramQuesnay (1694-1774), Turgot (1727-1781) e Gournay (1712-1759). O princípio dos ideais destes homens estava fundamentado na não-interferência do Estado na economia.
Diferente do que ocorria durante o mercantilismo, para eles as mercadorias deveriam circular entre as nações livremente sem impostos alfandegários.

Gournay teceu uma das frases mais conhecidas destes pensadores e que sintetiza o pensamento econômico da época: laissez faire, laissez passer (deixe fazer, deixe passar).

O liberalismo econômico de Adam Smith (1723-1790)

Fundador da economia moderna, Adam Smith (1723-1790), procurou efetivar estudos sobre o mercado e, a partir destes estudos, estabelecer as suas leis. Assim como os fisiocratas, também condenava o mercantilismo e a interferência do Estado na economia.
  Adam Smith impresso numa moeda de ouro
No entanto discordava dos fisiocratas no que concerne ao fator de enriquecimento de uma nação. Em sua principal obra, A Riqueza das Nações, defendia que a riqueza de um país não estava nem na agricultura nem no comércio, e sim no trabalho livre exercido sem interferência exterior ao mercado e guiado por suas leis naturais.

Segundo suas teorias a igualdade, a liberdade e a justiça só poderiam ser alcançadas através da divisão do trabalho, da livre concorrência e do livre comércio. No conjunto suas idéias ficaram conhecidas como liberalismo econômico
Essas teorias foram muito influentes durante o século XIX e direcionaram as políticas de vários países, em especial da Inglaterra, principal potência européia do período. Foi sob o pretexto de defender os princípios do liberalismo econômico que a Inglaterra ergueu seu império durante o século XIX.

A propagação do Iluminismo

Para divulgação dos ideais iluministas, foi fundamental a publicação da Enciclopédia, uma coletânea de textos de vários autores iluministas, organizada pelo filósofo Denis Diderot (1713-1783) e pelo matemáticoJean D’Alembert (1717-1783).
   Denis Diderot,
por Carle Van Loo (1705-1765).

A enciclopédia era uma obra de grande divulgação e seus organizadores pretendiam fazer com que muitas pessoas conhecessem o iluminismo através dela. E foi isto o que aconteceu. As idéias de liberdade, justiça e igualdade, defendidas pelos iluministas, estimularam muitos movimentos sociais de contestação ao Antigo Regime pelo mundo.
   Jean D’ Alembert
No continente europeu estiveram presentes na Revolução Francesa, e no continente americano influenciaram a Guerra de Independência dos Estados Unidos e vários movimentos de cunho separatista no Brasil, como a Inconfidência Mineira. Os iluministas modificaram o pensamento ocidental e suas idéias ainda hoje estão presente em nossa sociedade.
   A Enciclopédia
A primeira grande manifestação do vigor dos ideais iluministas foi a Guerra de Independência dos Estados Unidos. A independência dos Estados Unidos teve ressonância tanto na Europa quanto no restante do continente americano. Clique aqui para compreendê-la.











A América, um continente colonizado

Você sabia que todo o continente americano foi colonizado por europeus? Espanhóis, portugueses, ingleses, franceses, e até holandeses estiveram por aqui. No entanto, a colonização praticada por eles não foi igual em todos os lugares.
Charge: populações indígenas da América
De norte a sul, todo o continente americano, passando pelas terras que são hoje o Canadá até o ponto mais extremo do Chile, foi ocupado pelos europeus. Estranho, não? Nem tanto, se levarmos em consideração que eles estavam ávidos por riquezas e as estavam procurando, onde quer que estivessem. Mas, destes colonizadores, poucos foram os que conseguiram se dar bem por aqui. Nem todos encontraram o que buscavam e se firmaram na América, ou, se encontravam, exploravam e depois iam embora.
Poderíamos dizer que Inglaterra, Portugal e Espanha foram os colonizadores mais bem sucedidos em suas explorações. No entanto, a colonização inglesa na América do Norte (hoje Estados Unidos da América) teve algumas características que a diferenciava da colonização espanhola e portuguesa efetivada em outras partes do continente. Vamos, agora, navegar pela história desta colonização

A colonização inglesa na América do Norte

Algumas peculiaridades da região onde fica os Estados Unidos foram muito importantes para definir a sua colonização. Devido ao clima, possuía duas partes diferentes entre si.
Fazenda colonial do norte, New Hampshire.
Ao norte e ao centro da região o clima era muito parecido com o existente na Europa. Ao sul vigorava um clima tropical, parecido com o das colônias espanholas e portuguesas. Este detalhe foi muito importante na determinação do desenvolvimento de cada região. No norte e centro, os produtos agrícolas eram semelhantes aos europeus, o que não interessava muito à Inglaterra pois eles já existiam em abundância na Europa.
No sul, a produção diferenciada, parecida com a brasileira, permitia à Inglaterra a possibilidade de sua comercialização na Europa e obtenção de grandes lucros.
A escravidão no sul.
Desta forma, a colonização efetivada no norte baseou-se em pequenas e médias propriedades e no trabalho livre, exercido por colonos europeus que partiam da Europa em busca de um novo lugar para viver longe de perseguições religiosas ou políticas. No sul, mais apropriado aos interesses de lucro dos ingleses, desenvolveu-se uma colonização baseada em grandes propriedades e no trabalho escravo para produção de produtos para exportação.
Colonização inglesa
Como o interesse inglês estava direcionado para a região sul, o norte e o centro gozavam de certa autonomia para se desenvolver. Apesar do sistema colonial proibir o desenvolvimento de manufaturas nas colônias, elas acabaram se desenvolvendo ao norte. Este fator acarretou a produção de excedentes, que levou ao desenvolvimento econômico e à comercialização de produtos manufaturados e agrícolas com o Sul.
Logo, as colônias do norte estavam concorrendo com os produtos vindos da metrópole.
A Inglaterra reagiu a isso desencadeando um processo de repressão em suas colônias que levou à guerra e independência.

A reação inglesa à liberdade dos colonos

Dois foram os fatores que levaram a Inglaterra a reagir e a apertar o cerco sobre suas treze colônias na América: O primeiro se referia ao fato de que as colônias do norte produziam alguns dos produtos que seriam trazidos da Europa para serem comercializados na América, o que significava perda de mercado por parte da metrópole.
Produtos agrícolas das colônias do norte da América inglesa
Enquanto estes produtos eram produzidos e consumidos apenas no norte, a Inglaterra não se preocupava muito. O problema foi que esses produtos do norte, aveia, trigo e cevada, passaram a ser vendidos para o sul e para outras regiões do mundo, um mercado que era monopólio da metrópole. O comércio praticado pelas colônias do norte não davam nenhum lucro à Inglaterra, o que fez com que ela perdesse dinheiro.
O segundo motivo que fez a Inglaterra mudar sua postura diante das treze colônias foi que entre os anos de 1756 e 1763, ela tinha estado em guerra com a França na chamada Guerra dos Sete Anos.
Charge: Aperto fiscal inglês
Para vencer esta guerra, a Inglaterra teve que gastar muito dinheiro e acabou esvaziando os seus cofres públicos. Estava, portanto, passando por dificuldades financeiras. Ela teria que dar um jeito de conseguir dinheiro em algum lugar para sair da crise, e a saída encontrada foi procurar mais dinheiro em suas colônias. Afinal, colônia servia justamente para isso, para enriquecer a metrópole.

Muitas taxas para obter lucro

A principal saída encontrada pelo governo inglês para fazer valer seus direitos de metrópole na América e obter mais lucro da colônia foi estabelecer uma série de impostos que os colonos deveriam pagar.
Charge: Cana-de-açúcar
Em 1764, um ano após o fim da Guerra dos Sete Anos, o parlamento inglês editou a Lei do Açúcar. Segundo esta lei todo açúcar comprado pelos americanos que não fosse proveniente das Antilhas britânicas sofreria uma alta taxação. Esta lei tentava forçar os colonos a comprar açúcar das Antilhas pertencentes aos ingleses.
Selos emitidos pela coroa britânica
Em 1765 foi criada a Lei do Selo. Por esta lei todos os documentos, livros e jornais que circulassem na colônia deveriam pagar uma taxa à coroa britânica.
Os colonos protestaram violentamente contra esta lei. Decidiram que se ela continuasse vigorando eles não comprariam mais nenhum produto que viesse da Inglaterra e passaram a boicotar estes produtos. O prejuízo causado por este boicote e o receio de uma revolta generalizada fez com que os ingleses voltassem atrás.
Charge: Lei do chá
Mas como os ingleses continuavam precisando de dinheiro eles procuraram taxar seus colonos de outra forma. Um dos produtos mais importantes para os colonos era o chá. Ele era muito consumido tanto na colônia como na Inglaterra. Mas os colonos não compravam chá apenas dos ingleses. Também os compravam de outros comerciantes, inclusive de produtores internos.
Sabendo disso, em 1773, através da Lei do Chá, a Inglaterra estabeleceu que os colonos só poderiam comprar chá da Companhia das Índias Orientais (uma empresa inglesa). Os colonos ficaram muito zangados com isso e protestaram.

Estas medidas iam contra os ideais iluministas de liberdade e igualdade. Como todas estas leis eram ditadas pelo parlamento inglês, os colonos argumentavam que não poderiam ficar se submetendo a leis que eram votadas num parlamento onde eles não tinham representantes. A guerra de independência estava para começar...

As taxas causaram a independência dos americanos

Quando foi editada a Lei do Chá, além de argumentarem que não poderiam pagar impostos estabelecidos por um parlamento que não os representava, os colonos americanos organizaram uma reação bastante forte. 
  Em protesto, o chá foi jogado ao mar pelos norte-americanos.
Gravura de W. D. Cooper, 1789.
Disfarçados de índios os comerciantes norte-americanos invadiram três navios ingleses ancorados no porto de Boston, litoral norte-americano, e destruíram suas cargas de chá, jogando-as ao mar.

Desta vez a Inglaterra não cedeu aos colonos e pressionou-os mais ainda. Alguns meses após o episódio do chá o parlamento inglês aprovou novas leis, que ficaram conhecidas como Leis Intoleráveis.

  Depois da vitória da resistência à Lei do Selo, os colonos despacharam caixas e mais caixas de selos para a Inglaterra. Eles estavam bem nervosos com a coroa britânica por não deixar que vivessem livremente nos territórios americanos.
Ilustração de 1766.
Essas leis eram mais proibitivas que todas as anteriores e a Inglaterra estava disposta a usar a força para que fossem cumpridas. Ela não aceitava mais que sua colônia americana tivesse tanta liberdade como tinha tido até então. Queria que opacto colonial, que proibia o desenvolvimento das colônias em prol do desenvolvimento e enriquecimento da metrópole fosse cumprido.  

  Declaração de Indepehdência
John Trumbull(1756-1843) registrou nesta tela como julgou ser o momento da declaração de Independência dos Estados Unidos, ocorrida em 4 de julho de 1776. Os representantes das treze colônias estavam presentes na Filadélfia no hora de confirmar o ato-pendência
No entanto os ingleses que tinham vindo morar na colônia inglesa americana não aceitaram esta atitude da Inglaterra. Preocupados com a autonomia para desenvolver os seus negócios resolveram radicalizar em suas ações. Em 4 de julho de 1776 declararam sua independência da Inglaterra. Ou seja, declararam-se livres da submissão colonial.

A Inglaterra não queria perder uma colônia rica como a americana. Se os americanos quisessem sua independência teriam que lutar por ela. E foi isso o que aconteceu.












A Guerra de Independência dos Colonos Norte-americanos

Após a declaração de independência de sua colônia, a Inglaterra enviou um enorme exército para reprimir os norte-americanos. A resistência dos colonos foi organizada por George Washington. No início, os colonos perderam muitas batalhas. Seu exército era formado por comerciantes, camponeses e outros trabalhadores. Parecia mesmo que a Inglaterra iria ganhar a guerra. No entanto uma vitória do exército de George Washington em 1777 deu início a uma nova fase na batalha.
  "Bandeira branca!" Os ingleses se renderam.
Os franceses, que tinham perdido a Guerra dos Sete Anos para a Inglaterra alguns anos antes, viram na guerra de independência dos EUA uma possibilidade de atacar sua inimiga indiretamente. Entraram na guerra do lado dos colonos com armas, homens e dinheiro. A luta foi muito dura, mas a convicção dos norte-americanos e o apoio francês foram decisivos. Em 1781, na batalha de Yorktown, os ingleses foram derrotados.
  Primeira página da Constituição dos EUA, 1787.
Conquistada a independência, os norte-americanos passaram a reorganizar o seu território. Ao mesmo tempo em que queriam garantir a autonomia de cada ex-colônia, queriam mantê-las unidas. Em 1787 este problema foi solucionado com a proclamação da Constituição norte-americana. Ela determinava que cada ex-colônia se tornaria um Estado com governador e parlamento próprios. No entanto, estes Estados estariam unidos sob um regime republicano com um presidente eleito pelo voto popular.
Inspirada nas idéias iluministas a constituição estabeleceu que os poderes seriam independentes e estariam divididos em três: oExecutivo, o Legislativo e o Judiciário. Desta forma nascia a primeira nação independente no continente americano. Sua independência influenciou outros movimentos separatistas pelo continente. No entanto, os sons da independência norte-americana não foram ouvidos apenas no continente americano, fizeram eco na Europa e também contribuíram para aRevolução Francesa de 1789.

América Francesa: o caso do Haiti

Você já ouviu falar no Haiti? Pois bem, o Haiti está situado no Mar do Caribe e é um dos poucos territórios da América que foi colonizado pelos franceses. Para entendermos um pouco mais de sua história, façamos, então, uma viagem rumo ao início de sua povoação.

Os primeiros humanos no Haiti chegaram à ilha por volta de 7.000 a.C., provenientes da América Central. Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo, funcionário da Coroa espanhola, aportou no Haiti, o qual deu o nome de ilha Hispaniola. Tratava-se naquele momento da descoberta da América. Já no fim do século XVI, quase toda a população nativa havia sido escravizada ou morta pelos conquistadores.
Mapa Haiti
Com 641 quilômetros de extensão entre seus pontos extremos, a ilha tem formato semelhante à cabeça de um caimão.
A parte ocidental da ilha, onde hoje fica o Haiti, foi cedida à França pela Espanha em 1697. No século XVIII, a região foi a mais próspera colônia francesa na América, graças à exportação de açúcar, cacau e café.
Bandeira Haiti
Após uma grande revolta de escravos, no final do século XVIII, aFrança passou a dominar toda a ilha. Porém, o controle francês não durou muito tempo.
No ano de 1803, Jacques Dessalines organizou um exército e expulsou os franceses da região. A independência da ilha foi proclamada no ano seguinte e Dessalines se tornou o primeiro governante.


Durante o século XIX, contudo, uma nova reviravolta marcou a região. A ilha acabou sendo dividida em duas partes: oriental (República Dominicana), que foi reocupada pela Espanha; e ocidental (Haiti), que continuou independente.



A França antes de 1789: privilégios e opressão

Em fins do século XVIII, a França já tinha se tornado um país desenvolvido e dependente das atividades comerciais e industriais dos burgueses. No entanto a estrutura do Estado francês,absolutista e mercantilista, limitava o desenvolvimento pleno dos negócios da burguesia. Como boa parte do dinheiro que sustentava o governo era proveniente de impostos pagos pela burguesia, esta acabava sendo prejudicada em seus interesses. As taxações impostas pelo rei limitavam o desenvolvimento de suas empresas.
Mas não eram apenas os burgueses os prejudicados pela estrutura do Estado. Operários, artesãos e camponeses viviam oprimidos por baixos salários e muitos impostos a pagar. Deles era proveniente a outra parte do dinheiro necessário à manutenção do absolutismo.
Descanso da caçada, por Van Loo (1705-1765).
Os Nobres e o clero possuíam privilégios econômicos e sociais. Além de não pagar impostos, ocupavam os melhores cargos na administração do Estado e, muitas vezes, até recebiam pensões pagas pelo governo para sobreviver. Além disso, ainda tinham o direito de cobrar algumas obrigações feudais aos camponeses, o que piorava a situação destes trabalhadores.
Você não acha que a luxuosidade esbanjada pelo clero (primeiro estado) e pela nobreza (segundo estado), sustentada pelo trabalho de burgueses, camponeses, artesãos e operários (membros do terceiro estado), era uma afronta a essas pessoas? Você não acha que a condição vivida pelo terceiro estado causaria insatisfação e estimularia a revolta? A situação destas pessoas piorou ainda mais com as crises econômicas sofridas pela França na segunda metade do século XVIII. A revolta estava iminente. 

A França antes de 1789: a crise

Entre os anos 1756 e 1763 a França esteve em guerra com a Inglaterra. Foi a Guerra dos Sete Anos , perdida pela França, o que lhe custou muito caro.
Charge: apoio francês a independência dos EUA
Em 1776, quando os Estados Unidos entraram em guerra contra a Inglaterra pela sua independência, os franceses, vendo nisto uma possibilidade de desforra contra sua velha inimiga, apoiaram os norte-americanos. Apesar de, junto com os colonos norte-americanos, ter saído vitoriosa, sua participação nesta guerra só fez aumentar suas dívidas. Devendo mais da metade do que arrecadava, a crise econômica se instalou na França.
Charge: acordo comercial França e Inglaterra
Além dos problemas acima, dois outros fatores ajudaram a piorar a crise. Em 1786 o rei francês assinou com a Inglaterra um desastroso acordo para a burguesia de seu país. Este acordo abria o mercado francês aos produtos industrializados vindos da Inglaterra. Isto deu início a uma profunda crise econômica no seio da burguesia francesa. Pagando menos impostos, os produtos ingleses entravam na França muito baratos. Com dificuldades para competir com as empresas inglesas, muitas empresas francesas faliram.
Charge: crise no campo
Em 1787 a crise atingiu o campo e, conseqüentemente, as populações pobres rurais e das cidades. Uma grande seca prejudicou as colheitas. Os preços dos alimentos subiram. Camponeses, operários e artesãos sequer conseguiam comprar pão para alimentar suas famílias. No entanto, a nobreza continuava desfrutando de seus privilégios e oprimindo os trabalhadores.
O estado de crise era quase incontrolável. O rei teria que dar soluções para estes problemas.


Da insensibilidade do rei à saída proposta por Necker

O rei não teve sensibilidade para perceber que os tributos cobrados ao terceiro estado estavam deixando as pessoas desesperadas. Mesmo com as empresas dos burgueses fechando e a situação calamitosa por que passavam os trabalhadores em geral, ele não diminuía os impostos cobrados destas pessoas. 
  Divertimentos campestres
Antoine Watteau (1684-1721)
A pior parte desta situação era não diminuir os gastos do governo com a nobreza. Boa parte do orçamento do governo era gasto pelo rei para manter o luxo de sua corte e dos nobres em geral. Até mesmo os nobres mais ricos não contribuíam com nada para ajudar a cobrir estas despesas. No entanto, como o apoio francês aos colonos norte-americanos endividou excessivamente a França no exterior, o rei teria de conseguir uma fonte de renda extra para pagar suas dívidas e, ao mesmo tempo, cobrir os gastos da administração interna.
Reconhecendo a dificuldade de, num primeiro momento, sobretaxar o terceiro estado, Necker, ministro das finanças de Luís XVI, propôs algumas reformas ao rei. Entre elas, estava a cobrança de impostos da nobreza e do clero. Sem saída, o rei aceitou encampar as propostas de seu ministro. Nobres e clero não aceitaram pagar os impostos. Instaurou-se, a partir disso, uma crise política no governo de Luís XVI. 
   Panfleto publicado pelos revolucionários ilustrando a posição
A saída seria, portanto, tentar cobrar os impostos do terceiro estado. Mas para que essa decisão tivesse um caráter mais amplo, e não uma determinação ditada unilateralmente pelo rei, ele convocou a Assembléia dos Estados Gerais, composta por representantes eleitos por todo o povo francês e que não era convocada desde 1641. Os três estados, clero, nobreza e terceiro estado, participavam desta assembléia. Daí o nome Estados Gerais.
A eleição de representantes foi realizada e a data de início dos trabalhos se aproximava.

Os Estados Gerais e a explosão revolucionária

Ao convocar os Estados Gerais, o rei determinou que as decisões da Assembléia seriam votadas por estado. Isto significa que cada estado discutiria as propostas entre os seus pares e definiria o voto do estado. Desta forma, clero (primeiro estado) e nobres (segundo estado) poderiam ganhar sempre por 2 votos contra 1, do terceiro estado. E assim manter seus privilégios. 
  Abertura dos Estados Gerais em cinco de maio de 1789.
No entanto o terceiro estado, imensa maioria da população francesa, argumentava que as votações deveriam ser feitas por cabeça (cada representante um voto) e não por estado. Assim, teriam mais possibilidade de fazer valer seus desejos. No total, o terceiro estado possuía 578 representantes contra 291 do primeiro estado (clero) e 270 do segundo estado (nobreza). 
Diante do impasse, o terceiro estado manteve sua proposta na abertura da reunião dos Estados Gerais. O rei não aceitou modificar o sistema de votação e tentou acabar com a reunião. O terceiro estado se revoltou e transformou a reunião dos Estados Gerais numa Assembléia Nacional Constituinte. Assim, se aprovassem uma constituição, o rei teria que respeitá-la. Uma Assembléia Constituinte era uma verdadeira afronta à autoridade do rei, que decretou, portanto, o fechamento do lugar onde estes representantes estavam reunidos.
  A luta parva invadir a Bastilha
O terceiro estado estava decidido. Resistiriam ao rei e proclamariam uma Constituição para a França. Seria necessário pegar em armas. E eles não vacilaram.
No dia 14 de julho de 1789 a Revolução Francesa explodiu. O povo invadiu a fortaleza da Bastilha, prisão em que ficavam presos os inimigos políticos de Luís XVI. O dia da queda da Bastilha se tornou a data oficial da Revolução francesa. 
Logo a informação de que o povo tinha tomado a fortaleza da Bastilha se espalhou por toda a França. Na zona rural, os camponeses tomavam de assalto os castelos dos nobres e os saqueavam. A revolução estava apenas começando. 

O novo governo: os burgueses no poder

Ao tomar o poder o Terceiro Estado aboliu os privilégios feudais dos nobres e do clero e expôs seus ideais em um dos documentos mais importantes do período contemporâneo: a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão .
Esta declaração confirmou o fim dos privilégios feudais e estabeleceu que o governo francês seria, a partir daquele momento, uma monarquia constitucional. Haveria três poderes, o executivo, exercido pelo rei, o legislativo, formado por representantes eleitos, e o judiciário. É importante perceber que a burguesia era a maioria na Assembléia Constituinte e suas propostas foram as vencedoras.

Da monarquia constitucional à proclamação da República

A insatisfação das populações mais pobres era geral. O novo governo não conseguia diminuir a inflação. Os alimentos continuavam caros e a população não conseguia comprá-los. Este era alguns dos problemas internos que a Revolução enfrentava.
  Camponeses indo discutir o preço do pão...
No plano exterior, a Revolução também tinha problemas. Praticamente toda a Europa era governada por reis absolutos. Para estes déspotas, a imposição de uma constituição nacional ao rei Francês era um mal exemplo aos seus súditos. Poderia inspirar a revolta em seus reinos contra o regime absolutista. Percebendo este problema, alguns monarcas europeus preparavam uma invasão à França para restituir o poder ao rei.  
A Prússia se antecipou e invadiu a França em abril de 1792. O rei Francês não fez muita coisa para resistir ao ataque. Coube ao povo a resistência ao exército prussiano. Em 20 de setembro esse exército, após várias vitórias foi, enfim, derrotado pelos franceses. A nobreza e o rei foram acusados de traição. 
  A invasão das prisões
O povo invadiu as prisões e exterminou muitos membros da nobreza. Em 22 de setembro os franceses proclamaram que a França deixaria de ser uma monarquia constitucional para ser uma República.  Começava uma nova fase da Revolução Francesa. Para adequar a Constituição à nova estrutura, foi convocada uma Convenção para elaborar e aprovar esse novo documento. Desta vez a eleição de representantes foi feita através do voto universal e não censitário.
Os girondinos, o grupo mais moderado que existia entre os revolucionários, conseguiram a maioria na Convenção e o Governo da República. Os jacobinos, pequena burguesia que contava com o apoio dos trabalhadores, apesar de não ser a maioria também eram uma força expressiva na Convenção. E ganhariam ainda mais força durante o desenvolvimento de seus trabalhos. A constituição republicana foi promulgada em abril de 1793. No entanto, muitos dos problemas internos continuavam. A Revolução se radicalizaria ainda mais. Clique aqui para saber como essa radicalização se efetivou.

O período do terror

No poder, os jacobinos tinham de enfrentar muitos problemas. A invasão externa, a inflação que encarecia os alimentos e os levantes do interior do país eram apenas alguns deles.
  Clube dos Jacobinos
Para enfrentar estes problemas foi criado, em abril de 1793, oComitê de Salvação Publica, órgão administrativo encarregado de organizar a defesa externa e de apaziguar o país internamente. Além deste órgão, foi criado o Tribunal Revolucionário, responsável pelo julgamento dos crimes classificados como contra-revolucionários.
Os jacobinos conseguiram mobilizar uma gigantesca e heróica resistência popular e venceram os inimigos externos. No entanto, internamente, a situação não era tão simples. As divisões políticas enfraqueciam a revolução e a direcionaram para o caminho da intolerância. 
  Execução de um opositor
Obra de Pierre-Antoine Demachy
Iniciou-se uma caçada a todos aqueles que representassem alguma ameaça ao poder de Robespierre, principal líder jacobino. Robespierre liderou uma verdadeiro extermínio de seu opositores. Condenou à guilhotina, por meio do Tribunal Revolucionário, boa parte de seus opositores. Não apenas os nobres e os girondinos. 
Até mesmo pessoas próximas, mas que discordavam do direcionamento do regime, foram executadas na guilhotina. Entre elas estavam líderes populares e antigos companheiros de Robespierre como Danton, Desmoulins  Hébert, entre outros. 
   Uma cabeça decepada
Durante o período do terror (junho de 1794 a julho de 1794), milhares de pessoas foram executadas em toda a França, acusadas de serem contra-revolucionárias. No entanto, de tanto assassinar líderes populares, Robespierre acabou isolado. Os girondinos, aproveitando o isolamento do jacobino, voltaram ao poder. Destituíram Robespierre e o condenaram à guilhotina. Os moderados retornam ao poder.




Os moderados retornam ao poder (1795-1799)

A reação burguesa modificou o panorama político da França. Ainda que o governo dos jacobinos tenha sido, na prática, autoritário, a Constituição aprovada por este grupo baseava-se em princípios democráticos. Em teoria, os jacobinos queriam construir uma França igualitária.
  A calmaria retorna à França.
O excessivo democratismo presente na constituição aprovada pelos jacobinos não era visto com bons olhos pelos girondinos. Para alterar a estrutura desta constituição eles convocaram, então, uma nova convenção para redigir uma nova constituição. A nova constituição modificou a forma de organização do poder executivo. Estabeleceu que esse poder seria exercido por cinco representantes eleitos na Assembléia entre seus membros. Era o chamado Diretório
A nova constituição, para garantir novamente a supremacia burguesa nas instâncias de poder, restabeleceu o voto censitário para eleição dos representantes da Assembléia. Isto impedia o acesso de populares às instâncias representativas de decisão. No plano econômico, os girondinos acabaram com o tabelamento de preços instituído pelo Comitê de Salvação pública. No entanto, todas estas mudanças não melhoraram a situação da população pobre. O governo era corrupto e os preços subiam. Com isso, as revoltas voltaram. Diante das revoltas, os burgueses reagiram com muita violência. O exército francês foi utilizado para abafá-las. Ainda assim a resistência popular não cessava. O governo dos burgueses estava ameaçado pelos nobres que queriam o retorno à monarquia e, novamente, pela ala mais radical da revolução. 
   Bonaparte no monte Saint Bernade,
por David 1802
As dificuldades enfrentadas pela burguesia fizeram com que ela se envolvesse em campanhas militares no exterior, para buscar o apoio popular. As vitórias francesas foram garantidas por um jovem general, o que lhe conferiu muito prestígio popular na França. Ligado à burguesia, Napoleão Bonaparte era a saída que ela precisava para se sustentar no poder. No dia 09 de novembro de 1799, Napoleão deu um golpe de Estado e assumiu o poder. Este evento ficou conhecido como 18 Brumário.
Após a ascensão de Napoleão Bonaparte a Europa passou a viver um período chamado de Era Napoleônica.

O Consulado

Napoleão Bonaparte subiu ao poder na França em 1799, onde permaneceu até 1815. A chamada Era Napoleônica é dividida em três períodos: o Consulado, o Império e o Governo dos Cem dias. Neles, Napoleão expandiu seus domínios por quase toda a Europa ocidental, levando para outras regiões os ideais revolucionários. Além disso,  consolidou, dentro da França, as conquistas burguesas.
  O cônsul Napoleão Bonaparte.
O Consulado foi o órgão que substituiu o Diretório após o golpe de 18 Brumário. O poder Executivo passou a ser comandado, portanto, por três cônsules, eleitos pelo Senado com mandato de dez anos. O primeiro cônsul foi Napoleão Bonaparte, detentor do poder de fato. Ele nomeava ministros, oficiais, funcionários e membros do Conselho de Estado, além de preparar os projetos de lei. Tinha poderes ilimitados em um regime aparentemente democrático. Internamente, Napoleão procurou garantir a estabilidade econômica, vital ao desenvolvimento dos negócios da burguesia. Centralizou a administração pública, criou um corpo de funcionários para arrecadar impostos e o banco da França. Além disso, promoveu uma reforma no ensino e procurou reconciliar-se  nos planos interno e externo.
Em 1802, assinou a Paz de Amiens com a Inglaterra e pôs fim ao conflito europeu iniciado em 1792. Sua política externa e interna teve grande êxito, consolidando, desta a da a força do consulado. Após ter consolidado o consulado, em 1802, o cargo de cônsul se tornou vitalício. Dois anos depois Napoleão receberia o título de imperador, sendo coroado como Napoleão I, inaugurando, assim, o período imperial 

O período imperial e o governo dos cem dias (1804-1815)

Em 1804, Napoleão instituiu o império e foi coroado na catedral de Notre-Dame, com o título de Napoleão I. Durante o império, uma nova aristocracia foi formada. Era composta por homens que vinham da alta burguesia e que passaram a ocupar os altos cargos do governo. A economia foi estimulada e o exército reformado e modernizado. 
  A coroação de Napoleão.
Com todos os poderes concentrados, o governo tornou-se despótico. As Assembléias eleitas por sufrágio universal deram lugar a um sistema de eleições indiretas e só as pessoas ricas podiam ser eleitas. O Tribunal e os Corpos Legislativos perderam suas funções. As liberdades individuais e políticas foram desrespeitadas e a acabou a liberdade de imprensa.
Neste período Napoleão suspendeu as políticas conciliatórias do início do consulado e a França se envolveu em numerosas guerras. A Inglaterra via neste país um rival aos seus produtos industrializados e vários países absolutistas temiam os reflexos da Revolução Francesa. Por motivos políticos ou econômicos, diversos países se uniram contra a França formando várias coligações ao longo deste período. 
Quando as derrotas militares começaram a se suceder, o império se enfraqueceu e o governo de Napoleão caiu diante de seus inimigos, que restabeleceram a dinastia Bourbon no país. Napoleão, após ter renunciado ao poder em 1814, foi exilado na Ilha de Elba.
   A batalha final de Waterloo.
No entanto, em março de 1815, Napoleão fugiu desta ilha e desembarcou na França com 1.200 soldados, com o intuito de retomar o poder. Ao saber de sua volta, Luís XVIII fugiu para a Bélgica. Napoleão retomou o governo francês e os aliados formaram uma nova coligação para derrotá-lo. Foi definitivamente derrotado em junho de 1815, na batalha de Waterloo pelo duque de Wellington. Luís XVIII voltou ao trono e Napoleão foi, definitivamente, preso. 
No período em que liderou a França, Napoleão conseguiu disseminar os princípios e as conquistas liberais da Revolução por outros países europeus. O Antigo Regime foi abalado em suas bases. Mesmo com a reação organizada pelo Congresso de Viena, as monarquias não seriam mais absolutas.

O período imperial e o governo dos cem dias (1804-1815)

Em 1804, Napoleão instituiu o império e foi coroado na catedral de Notre-Dame, com o título de Napoleão I. Durante o império, uma nova aristocracia foi formada. Era composta por homens que vinham da alta burguesia e que passaram a ocupar os altos cargos do governo. A economia foi estimulada e o exército reformado e modernizado. 
  A coroação de Napoleão.
Com todos os poderes concentrados, o governo tornou-se despótico. As Assembléias eleitas por sufrágio universal deram lugar a um sistema de eleições indiretas e só as pessoas ricas podiam ser eleitas. O Tribunal e os Corpos Legislativos perderam suas funções. As liberdades individuais e políticas foram desrespeitadas e a acabou a liberdade de imprensa.
Neste período Napoleão suspendeu as políticas conciliatórias do início do consulado e a França se envolveu em numerosas guerras. A Inglaterra via neste país um rival aos seus produtos industrializados e vários países absolutistas temiam os reflexos da Revolução Francesa. Por motivos políticos ou econômicos, diversos países se uniram contra a França formando várias coligações ao longo deste período. 
Quando as derrotas militares começaram a se suceder, o império se enfraqueceu e o governo de Napoleão caiu diante de seus inimigos, que restabeleceram a dinastia Bourbon no país. Napoleão, após ter renunciado ao poder em 1814, foi exilado na Ilha de Elba.
   A batalha final de Waterloo.
No entanto, em março de 1815, Napoleão fugiu desta ilha e desembarcou na França com 1.200 soldados, com o intuito de retomar o poder. Ao saber de sua volta, Luís XVIII fugiu para a Bélgica. Napoleão retomou o governo francês e os aliados formaram uma nova coligação para derrotá-lo. Foi definitivamente derrotado em junho de 1815, na batalha de Waterloo pelo duque de Wellington. Luís XVIII voltou ao trono e Napoleão foi, definitivamente, preso. 
No período em que liderou a França, Napoleão conseguiu disseminar os princípios e as conquistas liberais da Revolução por outros países europeus. O Antigo Regime foi abalado em suas bases. Mesmo com a reação organizada pelo Congresso de Viena, as monarquias não seriam mais absolutas.

O Congresso de Viena

Congresso de Viena se reuniu após a derrota de Napoleão em Leipzig (1813). Foi interrompido durante o Governo dos Cem dias mas retornou logo após este período, indo até 1815. Nele, as grandes potências da época se uniram para restabelecer o equilíbrio europeu abalado pelas conquistas napoleônicas. Dividiram o continente e as possessões coloniais, reafirmando os princípios do Antigo Regime, que logo se extinguiriam completamente dando início ao um novo período de conflitos na busca de novos territórios a serem conquistados.

O período imperial e o governo dos cem dias (1804-1815)

Em 1804, Napoleão instituiu o império e foi coroado na catedral de Notre-Dame, com o título de Napoleão I. Durante o império, uma nova aristocracia foi formada. Era composta por homens que vinham da alta burguesia e que passaram a ocupar os altos cargos do governo. A economia foi estimulada e o exército reformado e modernizado. 
  A coroação de Napoleão.
Com todos os poderes concentrados, o governo tornou-se despótico. As Assembléias eleitas por sufrágio universal deram lugar a um sistema de eleições indiretas e só as pessoas ricas podiam ser eleitas. O Tribunal e os Corpos Legislativos perderam suas funções. As liberdades individuais e políticas foram desrespeitadas e a acabou a liberdade de imprensa.
Neste período Napoleão suspendeu as políticas conciliatórias do início do consulado e a França se envolveu em numerosas guerras. A Inglaterra via neste país um rival aos seus produtos industrializados e vários países absolutistas temiam os reflexos da Revolução Francesa. Por motivos políticos ou econômicos, diversos países se uniram contra a França formando várias coligações ao longo deste período. 
Quando as derrotas militares começaram a se suceder, o império se enfraqueceu e o governo de Napoleão caiu diante de seus inimigos, que restabeleceram a dinastia Bourbon no país. Napoleão, após ter renunciado ao poder em 1814, foi exilado na Ilha de Elba.
   A batalha final de Waterloo.
No entanto, em março de 1815, Napoleão fugiu desta ilha e desembarcou na França com 1.200 soldados, com o intuito de retomar o poder. Ao saber de sua volta, Luís XVIII fugiu para a Bélgica. Napoleão retomou o governo francês e os aliados formaram uma nova coligação para derrotá-lo. Foi definitivamente derrotado em junho de 1815, na batalha de Waterloo pelo duque de Wellington. Luís XVIII voltou ao trono e Napoleão foi, definitivamente, preso. 
No período em que liderou a França, Napoleão conseguiu disseminar os princípios e as conquistas liberais da Revolução por outros países europeus. O Antigo Regime foi abalado em suas bases. Mesmo com a reação organizada pelo Congresso de Viena, as monarquias não seriam mais absolutas.
Em relação ao tipo de comércio exercido na colônia portuguesa da América, escolha a alternativa que substitua respectivamente os itens I, II, III e V.
Como o desenvolvimento econômico da colônia girava em torno do comércio, a principal ferramenta de controle sobre o desenvolvimento _____I____ do Brasil era uma política comercial ____II____, pois, desta forma, assegurava a ____III____, base do ____IV____.

independente, restritiva, exclusividade do mercado, liberalismo.

sustentável, responsável, liberdade de mercado, sistema colonial.

autônomo, restritiva, liberdade de mercado, liberalismo.

autônomo, restritiva, exclusividade do mercado, sistema colonial.

2.
A revolta de Beckman, ocorrida no Maranhão em 1684, foi um das primeiras revoltas do período colonial. Seu pano de fundo era a falta de mão-de-obra para trabalhar nas lavouras. Sabemos que a composição social de uma revolta pode dizer muito sobre ela. No caso desta revolta, ela foi composta pelos

homens livres e mulatos.

grandes proprietários de terras.

negros e índios.

comerciantes portugueses.

3.
Na Guerra dos Mascates (1709-1711) entraram em oposição, em Pernambuco, os senhores de terras contra os comerciantes portugueses. Sua motivação inicial está ligada à perda de poder dos senhores, devido à diminuição na venda do açúcar brasileiro, enquanto o poder dos comerciantes portugueses aumentava. Esta situação levou os senhores a se rebelarem solicitando ao governo local

o perdão de suas dívidas contraídas junto aos comerciantes portugueses.

a manutenção da escravidão, defendida pelos comerciantes portugueses como forma de contornar a crise do açúcar.

o pagamento imediato das dívidas dos comerciantes portugueses contraídas junto aos senhores.

a elevação de Recife à condição de vila, pois assim poderia ter câmara municipal própria e ficariam livres da influência após comerciantes portugueses.

4.
Na Rebelião de Vila Rica, os rebeldes questionavam a estrutura de exploração da metrópole. Para isso eles questionavam

a cobrança do quinto, imposto a ser pago à metrópole para exploração das minas de ouro em Minas Gerais.  

o excesso de privilégios dados aos portugueses que quisessem explorar as minas.

todo o pacto colonial.

a derrama, que pressionaria os mineiros que exploravam as minas a pagarem os impostos atrasados.

5.
Diferente da rebelião que ocorreu 69 anos antes, a Inconfidência Mineira tinha idéias mais radicais: queria a independência e a proclamação da república. Os problemas entre os colonos e a coroa portuguesa ainda permaneciam, mas agora outros fatores influenciavam a radicalização dos mineiros. Dentre esses fatores, destaca-se

a decadência da escravidão.

o movimento abolicionista.

o iluminismo.

o aumento na extração de ouro, e conseqüentemente da arrecadação portuguesa.

6.
A Inconfidência Mineira _____I____ alterar a ordem social estabelecida. Desta forma, a exploração dos escravos _____II____, assim como ____III___ o poder dos grandes proprietários, em _____IV____ dos homens pobres e livres. A alternativa cujos termos substituem respectivamente os itens I, II, III e IV, no texto acima é

não buscava, continuaria, manteria, detrimento.

buscava, diminuiria, diminuiria, benefício.

buscava, acabaria, acabaria, benefício.

buscava, seria modificada, diminuiria, prol.

7.
A Conjuração Baiana ou dos Alfaiates em algumas de suas idéias e motivações é muito parecida com a Inconfidência Mineira.No entanto, há algumas diferenças que são fundamentais. As afirmativas abaixo se referem à Conjuração Baiana.
I – Foi composta pela elite, mas também teve a participação de pessoas humildes, negros e mulatos livres.
II – A radicalização do movimento levou à luta pela igualdade das raças, pelo fim da escravidão e pela abolição de todos os privilégios, para quem quer que fosse.
III – Foi influenciada pelo iluminismo que era pregado a humildes e pobres.
IV – Foi uma revolta exclusiva da elite contra o poder de Portugal.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

III apenas.

IV apenas.

II e IV.

I, II e III.

8.
Os momentos de crise são excelentes produtores de revoltas e revoluções. A Revolução Francesa, por exemplo, teve como fator inicial uma crise no campo que gerou uma fome muito grande na França. As crises, no Brasil, também produziram revoltas. No caso da Revolução Pernambucana de 1817 teve como fator inicial

o endividamento dos senhores de terras.

a diminuição da mão de obra escrava, o que dificultava a produção agrícola.

uma grande seca em 1816 que derrubou os índices de produção de açúcar, principal produto da região.

a decretação da derrama em 1817 e o conseqüente desespero da população que não teria como pagar os impostos atrasados.

9.
Durante o período colonial ocorreram muitas revoltas no Brasil contra o poder da colônia. Cada revolta teve sua motivação específica. No entanto, existiram motivos que foram gerais, ou seja, que estavam presentes em todas elas. Um desses motivos foi a luta

pelo fim da escravidão, já que esta era vergonhosa para o Brasil.

pelo desenvolvimento sustentável da colônia, pois a exploração desenfreada estava acabando com as matas e rios brasileiros.

pela manutenção do monopólio comercial entre o Brasil e Portugal, já que este beneficiava os produtores brasileiros que teriam sempre quem adquirisse seus produtos.

pelo fim do monopólio comercial com o conseqüente fim da proibição do livre comércio.

10.
Durante mais de trezentos anos o Brasil foi colônia de Portugal e durante quase todo esse período obedecia a diretrizes vindas deste país. Com a ascensão de Napoleão um fato novo ocorre: o território português passa a ser ameaçado de invasão, o que efetivamente ocorre em 1808. Com isso a coroa portuguesa decide migrar para o Brasil, de onde governará o seu império. Esse pequeno detalhe foi muito importante para a história brasileira porque

o Brasil virou a mesa e passou a mandar em Portugal, que se transformou em colônia brasileira. Isto acabou desencadeando sua independência.

sua unidade territorial foi reforçada, já que o controle sobre as províncias passou a ser exercido de perto e com mais força. E é esse reforço da unidade que influenciará a manutenção do território sem divisão durante a independência.

a transferência da riqueza da metrópole para o Brasil enriqueceu a população local, estimulando o comércio e o consumo. O que foi muito importante para o processo de independência.

alterou a composição territorial do país, estimulando a divisão dos estados e fortalecendo o processo de independência do Brasil, já que a população, envolvida na luta pela formação do seu estado, acabou lutando também pela independência do país.

11.
No caso da Espanha, o efeito da invasão de Napoleão foi diferente. Isto porque

reforçou o império espanhol, estimulando a população local e das colônias a se unificarem contra a invasão.Isto gerou a unificação do território colonial após a retomada da metrópole.

ao invés de se reforçar o império espanhol se enfraqueceu. Com isso, as rebeliões coloniais estouraram e, aos poucos, os territórios foram conquistando sua independência política, fragmentando todo o território em várias nações.

a luta pela retomada do território espanhol acabou por desorganizar a economia colonial, enfraquecendo, assim, o pacto colonial. Assim os territórios acabaram se libertando.

a luta pela retomada do território espanhol acabou por fortalecer a economia colonial, estimulando, assim, um reforço no pacto colonial. Assim, a luta pela independência acabou sendo mais dura.


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